28 fevereiro 2015

'Era um sonho', diz acreana de 16 anos que vai cursar direito na UFMG

1 - 'Era um sonho', diz acreana de 16 anos que vai cursar direito na UFMG

Larissa Braga tem uma síndrome rara que afeta visão, audição e coluna. Estudante obteve 772 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio 2014.

 

 

 

 

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Escola em período integral e longas noites de estudo. Essa foi a rotina durante todo o ano passado da acreana Larissa Braga, de 16 anos, que realizou um sonho e passou no curso de direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela obteve 772 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014 e já está de malas prontas para a capital mineira. A estudante é portadora da síndrome rara de Goldenhar, por isso, tem baixa visão e audição, além de problemas na coluna vertebral.

Cursar direito na universidade mineira era um sonho de infância. O motivo, de acordo com Larissa, é que, por realizar o tratamento desde o nascimento em Belo Horizonte, acabou criando amor pelo local. Já o direito, ela não sabe explicar, apenas se tornou um sonho desde quando tinha nove anos.

"Na 4ª série, aos 9 anos, eu escrevi uma redação sobre o que queria ser quando crescer. Eu não tinha contato com nenhum advogado, mas surgiu um interesse pelo direito. E nessa redação, eu dizia que queria ser juíza federal cursando direito na UFMG. Como eu vou para Minas Gerais desde bebê para fazer tratamento médico, eu amo demais aquela terra. Eu tenho uma síndrome rara, que afeta a visão, audição e as vértebras", conta.

Acho que não tem uma fórmula, mas fé, humildade e perseverança, nessa ordem, funcionaram para mim". Larissa Braga, estudante

Como não queria, além de cursar o terceiro ano do ensino médio, ter que fazer curso preparativo, a estudante optou por estudar numa escola de tempo integral, que já ofertava os dois serviços. Larissa relata que, por causa disso, estudava pela manhã e tarde na escola. Em casa, a partir das 19h30, depois de acompanhar os telejornais, recomeçava a maratona. Ao todo, dava uma média de 14h de estudos diários, com exceção das noites de sábado, quando descansava e ficava com a família.

"Eu entrava na escola às 7h30, saía às 13h. Depois voltava às 14h30 e ficava até às 18h. Em casa, assistia ao Jornal Nacional, que me ajudou muito. Às 19h30, recomeçava a estudar e não tinha hora para parar, mas terminava às 0h, normalmente porque meus pais me mandavam ir dormir. Quando eles dormiam, eu voltava e estudava mais. Sem eles saberem", revela.

Mesmo levando uma rotina de preparação intensificada durante o último ano de escola, Larissa é direta ao dizer que o importante é se dedicar durante toda a vida escolar, sobretudo no ensino médio. Para ela, decidir cedo o que queria cursar foi fundamental. "Como decidi o que queria na quarta série, fui todo o ensino fundamental e médio tentando ser a melhor aluna possível, para que quando chegasse no terceiro ano eu pudesse passar de primeira", diz.

Larissa Braga viaja para Belo Horizonte (MG) no sábado (31); aulas começam no dia 2 de março (Foto: Caio Fulgêncio/G1)Larissa Braga viaja para Belo Horizonte (MG) no sábado (31); aulas começam no dia 2 de março (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

O balé foi a renúncia mais significativa que Larissa precisou fazer durante todo o ano de 2014. Bailarina há 12 anos, a acreana lembra que, no primeiro dia de aula da escola, um professor levou a frase que a motivaria durante todo o ano. Larissa diz também que, em 2014, só foi ao cinema uma vez, porque a família insistiu, e para apenas uma festa de aniversário. O segredo para o êxito, segundo ela, é a fé, humildade e perseverança.

"O meu professor de matemática, no primeiro dia de aula, trouxe uma frase de um menino que foi o 1° lugar em medicina da USP: 'abdique um ano de sua vida e será recompensado em todos os outros'. Foi isso que eu decidi fazer. Não significa que todas as pessoas que pretendem sucesso devem fazer o que eu fiz, mas deu certo comigo. Acho que não tem uma fórmula, mas fé, humildade e perseverança, nessa ordem, funcionaram para mim", fala.

Segundo a acreana, a fé é fundamental em todo o processo. "Eu tenho outra frase que carrego como lema: 'Não precisa ser fácil, apenas possível'. Então, tem que ter fé. Alguém tinha que ocupar aquela vaga, por que não poderia ser eu? Não preciso ser quem estuda mais, sei que existem pessoas que estudam mais que eu, mas tenho que estudar melhor. Tem que estudar muito, mas também se fosse fácil ia perder a graça", acrescenta.

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A expectativa para a mudança é grande, de acordo com a estudante. A viagem está marcada para o sábado (31), porque a matrícula está prevista para a segunda-feira (2). As aulas na UFMG iniciam no dia 2 de março. Larissa vai morar na casa de amigos da família e vai precisar se acostumar com uma cidade maior e, inclusive, com o transporte público.

"É a realização de um sonho. É o que eu sempre quis minha vida inteira, e foi importante cultivar esse sonho, mesmo que algumas pessoas, muitas vezes, dissessem que eu não conseguiria. Não sei o que me espera, mas foi minha escolha e isso ajuda bastante. Estou preparada para as consequências da minha decisão, espero que sejam maravilhosas", diz.

Para a mãe, a historiadora Janete Braga, de 46 anos, a sensação é de orgulho pelo sucesso da filha, mas também de preocupação devido à mudança de cidade. "Acredito que os pais têm a função de subsidiar projetos e realizar sonhos. Meu coração está muito apertado, porque mesmo criando os filhos para o mundo, nunca estamos preparados para ficar longe deles. O que é me assusta é com a relação à metrópole, mas é o sonho dela e nós vamos fazer o possível para realizar", fala a mãe.

Sentimento que é compartilhado pelo pai de Larissa, o engenheiro eletricista Nonato Silva, de 59 anos. "É um sensação indescritível, mas também esperada. Não foi uma surpresa, em função do empenho e dedicação dela. E também não foi um trabalho de um ano, mas de longo prazo. Ela estudou com afinco. A mudança de uma cidade pequena para uma metrópole é preocupante, mas também gratificante. É um grande desafio para ela desabrochar para o mundo", acrescenta o pai.

Síndrome de Goldenhar

Diagnosticada com Síndrome de Goldenhar pouco tempo depois do nascimento, Larissa é um exemplo de superação para a mãe, Janete Braga. Desde então são em média duas viagens por ano para Belo Horizonte (MG), onde realiza o tratamento.

"Minha filha tem baixa visão, que os óculos não corrigem, só auxilia, mas muitas vezes ela tem que usar lupa nas letras pequenas. A audição dela é parcial, só tem uma, e tem problema de coluna sério. A síndrome é óculo-aurículo-vertebral. Já passou por várias cirurgias. A previsão era que Larissa vivesse até os sete anos", conta.

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Além da dedicação aos estudos, a fé e a perseverança são as características apontadas como as mais marcantes, sobretudo pelas dificuldades enfrentadas em decorrência da síndrome. "Minha filha é uma gigante, tem uma fé inabalável e tem uma autoestima fantástica. Nunca sofreu nenhum tipo de preconceito ou rejeição. Eu acho que nessa vida nada é por acaso. Então, acredito que Larissa veio para nos dar uma lição de vida e superação", finaliza Janete.

Fonte: G1


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