06 setembro 2014

Veja 3 questões de concursos públicos que, mesmo erradas, não foram anuladas

Veja 3 questões de concursos públicos que mesmo erradas, não foram anuladas 800.600

Todos os anos milhares de candidatos são prejudicados por erros de bancas examinadoras em concursos públicos. Os exemplos são muitos e, mesmo entrando com recurso administrativo para pedir a anulação da questão, em alguns casos as bancas são irredutíveis.

 

 

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Os exemplos a seguir comprovam essa prática. São questões de língua portuguesa selecionadas pelo professor Fernando Pestana, autor de “A Gramática para Concursos Públicos” (Elsevier). Em comum elas têm o fato de estarem erradas, diz. “Deveriam ter sido anuladas, mas não foram, para ódio e desespero dos concurseiros”, afirma.

E por que não foram revistas e anuladas? “Porque as bancas não quiseram”, diz Pestana. Confira as questões e veja as explicações do professor sobre seus erros de gabarito:

1ª) FUMARC - CBM-MG - OFICIAL BOMBEIRO MILITAR - 2014
A posição do pronome oblíquo é facultativa em:

a) Não mais NOS contentamos com a melhor escolha possível ou com uma escolha suficientemente boa.

b) Talvez seja necessário que famílias e escolas revejam a parte que LHES cabe nesse processo.

c) Um professor universitário na área da educação disse uma frase curta que pode NOS fazer refletir muito: [...].

d) Uma jornalista ME disse que desde criança quis fazer jornalismo [...].

Gabarito: C.

“Absurdo é a palavra certa para designar esta questão”, diz o professor. Isso porque existem duas respostas possíveis: C ou D.

Na alternativa C, o pronome “nos” pode ficar antes do verbo auxiliar da locução verbal, atraído pelo “que” (que nos pode fazer) ou também depois do verbo principal no infinitivo (que pode fazer-nos).

Na alternativa D, explica Pestana, não há palavra atrativa antes do verbo. “Uma jornalista” é apenas um sujeito explícito. “Logo o pronome 'me' pode ficar também depois do verbo: uma jornalista disse-me que”, afirma o professor.

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2ª) FUNDATEC - DETRAN/RS - TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR - 2009
Analise os fragmentos listados na coluna I e associe à circunstância que expressam no texto, listadas na coluna 2.

Coluna 1:
I - não (... essas têm nomes, e não siglas...).
II - já (... já inclusos 141 mil...).
III - bem (As regras para os nomes das rodovias estaduais são bem parecidas com as das federais...).
IV - Em São Paulo (Em São Paulo,... vai da capital até Presidente Prudente...).

Coluna 2:
( ) tempo
( ) lugar
( ) modo
( ) negação

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
A) III - II - I - IV.
B) II - IV - III - I.
C) I - II - III - IV.
D) IV - III - II - I.
E) II - III - I - IV.
Gabarito: B.

Em I, “não” é um advérbio que exprime negação.

Em II, “já” é um advérbio que exprime tempo.

Em III, “bem” é um advérbio de intensidade porque modifica um adjetivo. “A banca errou porque 'bem', nesse caso, não pode ser advérbio de modo como aponta o gabarito”, explica Pestana.

É que na frase “as regras para os nomes das rodovias estaduais são bem parecidas com as das federais”, o advérbio “bem” tem o mesmo valor de “muito”, por isso exprime intensidade, e não modo.

Em IV, “em São Paulo” é uma locução adverbial de lugar.

“A questão deveria ter sido anulada por falta de opção”, diz Pestana.

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3ª) ESAF - SRFB - ANALISTA-TRIBUTÁRIO DA RECEITA FEDERAL - 2012
- Considere o texto abaixo para responder:

Tem-se afirmado que o Brasil pegou a doença holandesa, ou seja, o efeito de descobertas ou aumento de preços de recursos naturais, que valorizam a taxa de câmbio e por isso acarretam desindustrialização. A ideia foi inspirada no surgimento de gás da Holanda.

Pesquisas acadêmicas comprovaram que ocorre a valorização cambial, mas não ficou claro se tal doença causa desindustrialização ou redução do crescimento econômico. Na Holanda, o boom da exportação de gás valorizou a taxa de câmbio. Ao mesmo tempo, a indústria têxtil e de vestuário praticamente desapareceu e a produção de veículos e navios diminuiu. Foi daí que veio a tese da doença holandesa.

No Brasil diz-se que a valorização cambial decorrente da expansão das exportações de commodities evidenciaria a tese da doença holandesa. Nada disso tem comprovação.

(Adaptado de Veja, 30 de maio de 2012)

Assinale a opção incorreta a respeito da relação entre estruturas gramaticais e os mecanismos de coesão que sustentam a coerência do texto.

a) A flexão de plural em “acarretam” indica que a “desindustrialização” resulta tanto do “efeito de descobertas” quanto do “aumento de preços”

b) O substantivo “ideia” resume a informação do período sintático anterior, que compara causas e consequências da valorização da taxa de câmbio na Holanda e no Brasil.

c) A flexão de masculino em “claro” estabelece relação de coesão entre esse qualificativo e a oração condicional como um todo.

d) O advérbio “daí” tem a função textual de localizar no boom da exportação as consequências da doença holandesa.

e) A opção pelo uso do futuro do pretérito em “evidenciaria”, juntamente com o termo “diz-se”, indica a posição argumentativa de distanciamento do autor e seu não comprometimento com a veracidade da informação veiculada.
Gabarito: D.

“O gabarito foi a letra D, mas a letra C também está incorreta, logo a banca deveria ter anulado a questão por haver duas respostas”, diz o professor Pestana.

Na alternativa C, o professor destaca que o adjetivo "claro" está no masculino singular para concordar com a oração subordinada substantiva subjetiva (em negrito): “não ficou claro se tal doença causa desindustrialização ou redução do crescimento econômico”.

Para ficar mais simples de entender, o professor sugere a substituição da oração em negrito por “isso”: não ficou claro isso. Na ordem direta: isso não ficou claro.

“Perceba que a oração destacada tem função de sujeito do verbo 'ficar', e 'claro' é o predicativo do sujeito da oração destacada”, explica Pestana.

Assim, a oração “se tal doença causa desindustrialização ou redução do crescimento econômico” não é condicional como diz a banca examinadora.

“A banca vacilou porque adjetivo nunca estabelece coesão com oração subordinada adverbial condicional”, diz Pestana.

Na opinião do professor, a pergunta que fica é " até quando as bancas farão questões assim?"

Fonte: Exame


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